Pra onde foi a platéia?
De que lado vem esse vento gelado?
Por que me falta o ar?
Eu ainda posso ouvir a música... Por que vocês pararam de dançar?
-Adeus.
E ficou ouvindo o eco de suas próprias palavras nas paredes - que de repente desapareceram.
Suas mãos fraquejaram, mas seu coração não palpitou como esperava. Junto com as paredes, sonhos e vida se foram. Ele se foi; mesmo estando parado na sua frente, sussurrando desesperos.
- Por quê?
Seu rosto estava pálido, e ela viu o anel reluzindo no meio de seu cabelo já desordenado e cheio de dedos. Aproximou-se e a agarrou pelos braços, tentou um beijo.
Ela o afastou e...por Deus! Sentiu pena dele.
- Eu nunca disse que seria pra sempre.
Começou a fazer as malas, mas decidiu que não precisaria de nada, além dela mesma.
Girou a maçaneta e... parou. Antes que pudesse pensar, ouviu passos fortes atrás de si e teve certeza.
Abriu a porta para uma vida em branco, que não havia imaginado preencher sozinha até uma hora atrás. Então ela lembrou-se do passado. Dele. De como ele a abraçava, do seu cheiro, das caras que ele fazia quando ela adivinhava seus pensamentos, das noites que passaram em claro observando a lua... e do que agora é apenas uma lembrança sem dores.
Ele pensou no que poderia ter acontecido com ela – ou com eles –, mas não conseguiu. Conhecia todos seus sorrisos, roupas e manias, mas nunca compreendeu sua mente. Apenas acreditava em sua sinceridade, quando dizia que o amava. Uma estranha.
E ela caminhava pelo parque, procurando alguém para amar. Um estranho.
* Feliz aniversário Loirãão! Juízo quando não tiver cerveja, e tudo o que há de melhor! ;*