Lembra de quando o mundo era pequeno demais pra nós?
De quando o sol esquentava nossas caras
De quando chovia, e a gente chorava?
De quando eu te lotava de sorvete
E você me enchia de alegria?
De quando eu te sorria
E você me amava?

Pedir para conhecer a felicidade, seria pedir demais? Seria pedir demais aprender a sorrir, esquecer a palidez?
É o que se perguntava toda noite, agarrando-se aos travesseiros. Travesseiros desgastados, entediados.
O paraíso colorido, cheio de flores para deitar, não existia. Tudo não se passava de histórias que as fadas inventavam para fazê-la adormecer com rapidez, e se esquecer de que elas também não eram reais.
Dias seguintes eram dias de olhos – e vida – umedecidos. De lágrimas, e goteiras. Alagados de solidão, pesar.
Em um deles, decidiu pular de seu andar, e finalmente sentiu o vento batendo em seus cabelos. Ah, a brisa da manhã... tarde demais, tarde demais.