...De quando me arrancaram a pele,
Subornaram-me os sentidos,
Secaram-me as pupilas.
( Da acidez da chuva que me atingia,
De Hera, que de mim gargalhou
Quando um beijo a lua me prometia,
E sua face à mim revidou.)
Do dia que me atropelaram,
Por um turbilhão de maledicências
Pregaram-me na cruz de todos os anjos
E atravessaram-me os pecados que ainda alimento.
(Dos desejos que fomento,
Dos fantoches que me causam tormento,
Da luz que me cortou as asas
E da noite que me desperta em brasas)