
Ela brincava com o quinto copo de conhaque, num balcão com pouco brilho e muitas lágrimas. Se cair bebida, o que me disse era verdade.
Carregava em suas costas os cabelos nem louros, nem castanhos, que caiam desalinhadamente até a cintura. Carregava também aquela perturbação que a fazia ter vontade de arranhar a si mesma, e olhos nem negros, nem azuis.
Mas precisava manter-se bela. cor-de-tempestade, disse-me um dia, quando brincava com o desenho de minhas sobrancelhas...e mais uma gota fugia do copo e escapava pelos seus olhos.
Uma história cheia de briguinhas de ciúme, filmes bobos, guerras de travesseiro, discos raros, brigadeiro queimado... e quando ela finalmente conseguira enganar o que seu coração pedia, essas palavras?
... Tão baixas, perdidas...certeiras. Tinha vontade de fazer um poema com elas. Mas ela não levava jeito pra isso.
se o garçom estiver vindo limpar onde deixei cair o conhaque, vou até sua casa agora.
E o moço gentilmente passou um pano sobre o balcão, com um sorriso quase angelical.
* alguém lembra dos cabelinhos que perdi no vestiba? estou recolhendo-os. passei, caralho. maringá e psicologia, aguentem-me. "mas...carol...você não vai fazer letras???é a sua cara..." não. e sim, meu sorriso ocuparia esse blog inteiro. =)